TECNOLOGIA E CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

terça-feira, 16 de junho de 2015


http://pt.slideshare.net/edilmalima/modalidades-de-mediao-na-interao-entre-sujeitos-com-paralisia-cerebral-em-ambientes-digitais-de-aprendizagem



As tecnologias estão cada vez mais presentes nas salas de aula do mundo todo, os alunos, em grande parte, são receptivos a elas, mas… e os professores? Os docentes são responsáveis por fazer a conexão dos recursos tecnológicos com os conteúdos dos currículos pedagógicos, por isso é importante que se sintam seguros e sejam preparados para usá-los.

Qual é o papel da direção e da coordenação de uma instituição de ensino nesse contexto? O que os gestores podem fazer para incentivar e otimizar o uso de das tecnologias dentro da escola? O Porvir conversou com especialistas de diferentes áreas para descobrir.




Algumas dicas de como estimular o uso efetivo das tecnologias por parte dos educadores.


1. Oferecer recursos pertinentes

São inúmeras as opções de recursos tecnológicos no mercado, tanto gratuitos quanto pagos [apenas o Escola Digital reúne milhares recursos...]. Pode ser difícil escolher qual plataforma adotar, qual game usar para abordar um conteúdo, ainda mais com o aparecimento de coisas novas frequentemente no mercado resolvendo problemas que às vezes o professor nem tem. Por isso, a utilidade do recurso precisa ser clara.

“Oferecer recursos que contribuam para o trabalho do professor em atividades que ele já realiza dentro de sala faz com que ele se sinta mais confortável em um primeiro momento”, afirma Thiago Feijão, empreendedor que criou a plataforma adaptativa QMágico. “O papel do gestor na implementação de novas tecnologias não se restringe a mostrar a direção da inovação, mas trazer as melhores ferramentas que possam se adequar à visão [pedagógica] proposta”, completa.


Para Fernanda Giannini, que trabalha com formação de professores na rede pública de São Paulo na área de tecnologia, é importante que as ferramentas escolhidas potencializem a aula do professor, que traga algo a mais, algo que ele não conseguiria realizar sem esse recurso. “A demanda de fazer uso de uma tecnologia tem que ser o mais pertinente possível. Cabe à direção apresentar ferramentas e mostrar quais são suas possibilidades de uso”, explica.


2. Incentivar que o uso da tecnologia seja um hábito

Estimular que o professor incorpore as tecnologias no dia a dia, em diferentes momentos e situações, deixando sua utilização mais natural, facilita a integração desses recursos com a dinâmica escolar. Quando esse uso acontece dentro e fora da sala de aula, na própria rotina do docente, ele se sentirá mais confortável em fazer uso da tecnologia.

“Adotar tecnologia é como escovar os dentes: no começo custa mudarmos nossos hábitos, mas, com o tempo, o benefício é evidente. Mudar hábitos requer acordo pedagógico, frequência de uso e acompanhamento”, ressalta Feijão sobre a importância da equipe pedagógica estar unida para implementar essas mudanças.A coordenadora pedagógica Adriana Gandin conta que, quando precisa compartilhar alguma informação com os professores do colégio onde trabalha, procura usar ferramentas que gostaria que eles usassem com seus alunos. “Para coletar dados ou enviar um arquivo maior, faço através de formulários do Google Drive ou do Dropbox. Assim, eles já percebem a funcionalidade desses recursos e isso os estimula a levar a ferramenta para a sala de aula.”

“A demanda de fazer uso de uma tecnologia tem que ser o mais pertinente possível. Cabe à direção apresentar ferramentas e mostrar suas possibilidades de uso”


3. Ter um coordenador tecnológico na escola

Ter na instituição um profissional da direção que faça a ponte entre o corpo docente e os recursos tecnológicos pode facilitar o diálogo e a aproximação das ferramentas disponíveis com a abordagem pedagógica de cada professor.

“Esse profissional não é um professor que leciona nem um técnico da informação. Ele é a ligação entre a tecnologia da informação e o ensino. Ele gera a união de forma confortável e efetiva para o professor e para o aluno. É uma pessoa para pensar isso”, explica Giannini.


4. Investir na formação constante

Antes de ensinar, os professores precisam aprender como usar e se familiarizar com as novas tecnologias. Existem muitas formas de capacitá-los a isso, como cursos, palestras, workshops e seminários. Mas, para Giannini, essa complementação tem que fazer parte da carga horária de trabalho do profissional. “Os professores têm diversas obrigações não remuneradas fora da sala de aula, entre elas reunião de pais e institucionais, por exemplo. Quando a escola propõe a formação como mais uma atividade não remunerada, mesmo que seja para o benefício deles, eles não olham com bons olhos. Mas se a direção tem que estimulá-los a querer se aperfeiçoar, esse estímulo também vem pela remuneração.”

O educador Cesar Nunes ressalta que cabe ao diretor criar um ambiente onde a cultura do pensamento é valorizada e sugere como opção que a direção faça com os docentes uma avaliação formativa, que é um recurso pedagógico usado comumente pelos professores como ferramenta de diagnóstico do processo de ensino aprendizado dos alunos. O objetivo desse tipo de avaliação é que ela seja um instrumento de formação, do qual os alunos fazem parte ativamente. No caso de ser usada entre professores, a avaliação formativa tem o objetivo de ajudá-lo a encontrar a abordagem pedagógica que mais se adeque aos seus alunos.


“O professor precisa passar pelo processo que quer fazer seus alunos passarem. E o diretor precisa recriar esse ambiente usando tecnologia para dar mais confiança e segurança para os docentes. Um ambiente onde eles possam receber aprovação e feedback dessa experimentação.”


Essas formações são fundamentais como processo de reciclagem, para manter o corpo docente atualizado sobre os avanços tecnológicos e novos recursos disponíveis e também para trocar experiências sobre as ferramentas que já estão disponíveis para eles. “A formação continuada dentro da escola é importante, assim os professores podem compartilhar práticas com colegas, promover uma rede colaborativa. A troca entre eles é um processo bastante rico”, afirma Mila Molina, gerente de projetos da Fundação Lemann.




5. Como formar redes de apoio à Educação inclusiva





Matheus Santana da Silva, aluno autista, com seu pai na biblioteca da escola.


Os sistemas de apoio começam na própria escola, na equipe e na gestão escolar. O aluno com necessidades especiais não é visto como responsabilidade unicamente do professor, mas de todos os participantes do processo educacional. A direção e a coordenação pedagógica devem organizar momentos para que os professores possam manifestar suas dúvidas e angústias. Ao legitimar as necessidades dos docentes, a equipe gestora pode organizar espaços para o acompanhamento dos alunos; compartilhar entre a equipe os relatos das condições de aprendizagens, das situações da sala de aula e discutir estratégias ou possibilidades para o enfrentamento dos desafios. Essas ações produzem assuntos para estudo e pesquisa que colaboram para a formação continuada dos educadores.


A família compõe a rede de apoio como a instituição primeira e significativamente importante para a escolarização dos alunos. É a fonte de informações para o professor sobre as necessidades específicas da criança. É essencial que se estabeleça uma relação de confiança e cooperação entre a escola e a família, pois esse vínculo favorecerá o desenvolvimento da criança.


Profissionais da área de saúde que trabalham com o aluno, como fisioterapeutas, psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos ou médicos, também compõem a rede. Esses profissionais poderão esclarecer as necessidades de crianças e jovens e sugerir, ao professor, alternativas para o atendimento dessas necessidades.


Na perspectiva da Educação inclusiva, os apoios centrais reúnem os serviços da Educação especial e o Atendimento Educacional Especializado (AEE). São esses os novos recursos que precisam ser incorporados à escola. O aluno tem direito de frequentar o AEE no período oposto às aulas. O sistema público tem organizado salas multifuncionais ou salas de apoio, na própria escola ou em instituições conveniadas, com o objetivo de oferecer recursos de acessibilidade e estratégias para eliminar as barreiras, favorecendo a plena participação social e o desenvolvimento da aprendizagem.


Art. 1º. Para a implementação do Decreto no 6.571/2008, os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos; Art. 2º. O AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem; Parágrafo Único. Para fins destas Diretrizes, consideram-se recursos de acessibilidade na Educação aqueles que asseguram condições de acesso ao currículo dos alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, promovendo a utilização dos materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e informação, dos transportes e dos demais serviços. (CNB/CNE, 2009).



Ainda que não apresente números consideráveis, a inclusão tem sido incorporada e revela ações que podem ser consideradas práticas para apoiar o professor. Ter um segundo professor na sala de aula, é um exemplo, seja presente durante todas as aulas ou em alguns momentos, nas mais diversas modalidades: intérprete, apoio, monitor ou auxiliar. Esse professor poderá possuir formação específica, básica ou poderá ser um estagiário. A participação do professor do AEE poderá ocorrer na elaboração do planejamento e no suporte quanto à compreensão das condições de aprendizagem dos alunos, como forma de auxiliar a equipe pedagógica.


Outra atividade evidenciada pela prática inclusiva para favorecer o educador é a adoção da práxis - no ensino, nas interações, no espaço e no tempo - que relacione os diferentes conteúdos às diversas atividades presentes no trabalho pedagógico. São esses procedimentos que irão promover aos alunos a possibilidade de reorganização do conhecimento, à medida que são respeitados os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.


Vale ressaltar que a Educação inclusiva, como prática em construção, está em fase de implementação. São muitos os desafios a serem enfrentados, mas as iniciativas e as alternativas realizadas pelos educadores são fundamentais. As experiências, agora, centralizam os esforços para além da convivência, para as possibilidades de participação e de aprendizagem efetiva de todos os alunos.


Sobre a especialista

Daniela Alonso é educadora, consultora de projetos educacionais, selecionadora do Prêmio Educador Nota 10, psicopedagoga, especialista em Educação Inclusiva.

http://revistaescola.abril.com.br/formacao/palavra-especialista-desafios-educacao-inclusiva-foco-redes-apoio-734436.shtml?page=4

domingo, 14 de junho de 2015

Entrevista com Lenon Tarragô


Lenon é estudante de Pedagogia na Unilasalle e trabalha com as crianças na Associação Legato.



video

Entrevista com Elaine Conte

Elaine Conte é professora da Unilasalle e pesquisadora, nos ajudou com essa entrevista..

Questões da entrevista:
1 - Você percebe que os alunos que utilizam as tecnologias digitais tem maior facilidade de aprendizado? Por quê?
De modo geral, as crianças são receptivas às variadas tecnologias, no entanto, isso não repercute diretamente no desenvolvimento cognitivo em termos de lógica compreensiva de textos ou no aprendizado de problemas matemáticos ou mesmo no desenvolvimento dousos,sentidos e significados das palavras, por exemplo. As tecnologias trazem um potencial humano (inclusão, tecnologia social e reconhecimento) e um pensamento aniquilador (câmaras de gás nos campos de extermínio como coroamento da seleção racial, guerras, etc.), que são dimensões extremamente inquietantes e ambíguas. Mas vejo também que a pluralidade formativa estimulada pelo acesso à internet requer do professor desafios permanentes não apenas para demarcar a inclinação teórica em termos de transmissão linguística de conhecimentos, mas, sobretudo, para reunir diferentes papéis e jogos hermenêuticos de relações em um sentido humanista (de busca recíproca e coletiva), em abertura ao permanente diálogo na trama de interações em espaços escolares formais e informais. Nesse contexto, cabe lembrar aspalavras de Mary Pat Radabaugh (1993) que muito bem expressam essas relações com as tecnologias: “Para as pessoas sem deficiência a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis”. A questão da inclusão da deficiência na escola por meio das tecnologias assistivas (TA) é algo complexo, que diz respeito aos direitos humanos, à justiça social e às diferenças no desenvolvimento das pessoas. A inclusão da deficiência por meio da TA é uma forma de participar de experiências de aprendizagem sociais, que vão além da adaptação aos recursos técnicos e ao modelo tecnológicouma vez que repercute em uma “tecnologia da inteligência” (Pierre Lévy) e na “luta por reconhecimento” (Axel Honneth). Ressignificando a teoria de Honnethpodemos dizer que respeito às pessoas com deficiência passa pelo reconhecimento do outro por meio de três relações, a saber: O primeiro padrão de reconhecimento está na percepção do outro pelos laços de amor e afeto no cotidiano escolar, pois através da presença do outro nos diferenciamos e singularizamos. O que significa olhar a sala de aula como espaço de desenvolvimento da autoestima, autoconfiançapersonalidade e resistência à discriminação e marginalização do que é estranho. A segunda categoria é o do direito à igualdade por meio de políticas que criam uma cultura de respeito, dignidade, participação e acesso a recursos de forma igualitária para todos. A ação de reconhecimento mútuo pelas políticas de educação inclusiva são também geradoras de autorrespeito com a legislação. A terceira relação é a dsolidariedade que passa pela contribuição de cada sujeito no compartilhamento de valores éticos e relações comunitárias produzindo autorrealizaçãoO ato de reconhecer e ser reconhecido são práticas eminentementehumanas de interação social com o outropor isso é pedagógica, social e política e é nossa condição demanifestação humana (em que nos estranhamos e identificamos) para criar e reconstruir conhecimentos. Ao inserirmos a compaixão, a empatia e a dignidade humana como princípios dos processos de aprendizagem (dada apressuposição de que as dificuldades para resolver um problema entre os sujeitos são desiguais, assim como não há inclusão sem exclusão ou determinações legais sem problemas), nos damos conta de que a exclusão dos outros, significa a redução dapreender de nós mesmos.

2 - Os professores estão preparados para trabalhar com a educação inclusiva e com as tecnologias digitais?
Em termos pragmáticos, no Brasil temos atualmente apenas dois cursos de graduação com formação inicial na área de Educação Especial, que são a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A preocupação e o planejamento com respeito à capacitação de recursos humanos para trabalhar com as deficiências com foco nas práticas e experiências de inclusão, pela via da TA, inicia por volta de 2000, pelo Ministério da Educação (Mansini, 2011). Há ainda uma falta de conhecimentos teórico-práticos apreendidos na formação inicial e continuadasobretudono que se refere ao papel desempenhado pelos professores no trabalho com as deficiências múltiplas. Juntamente com a falta de pesquisas que debatem os problemas presentes nessas ações pedagógicas, que vão desde as dificuldades de infraestrutura, materiais e recursos tecnológicos adequados para atender às necessidades educacionais especiais. Segundo Nunes et al (2011, p. 6), para auxiliar no desenvolvimento da comunicação o uso das tecnologias assistivas “envolve o uso de gestos manuais, expressões faciais e corporais, símbolos gráficos (bidimensionais como fotografias, gravuras, desenhos e a linguagem alfabética e, tridimensionais como objetos reais e miniaturas), voz digitalizada ou sintetizadaAlém disso, surgem os problemas relacionados ao transporte adaptado para se chegar à escola, a falta de um trabalho integrado com os profissionais da saúde, uma vez que muitos alunos têm convulsões e apneias, assim como a ausência da participação coletiva na elaboração do trabalho entre oprofessor da sala de recursos multifuncionais e da classe comum, no sentido de promover atividades pedagógicascolaborativas para o desenvolvimento desses alunos. É necessário que os educadores tenham acesso aos diversosconhecimentos para adquirir uma formação holística sobre os saberes e os que-fazeres, que reconheçam a complexidade e as possibilidades do ser humano se recuperar e progredir com a apropriação cultural.

3 - Qual a sua posição diante do avanço das tecnologias digitais para crianças com necessidades especiais?
A minha percepção sobre as tecnologias para o trabalho com as crianças com necessidades educacionais especiais estão em sincronia com as Diretrizes Operacionais do AEE, que definem como uma das atribuições do professor do AEE “VII – ensinar e usar a tecnologia assistiva de forma a ampliar habilidades funcionais dos alunos, promovendo autonomia e participação” (BRASIL, 2009Art. 13). No entanto, cabe destacar que as salas multifuncionais são precárias em relação ao que é definido nas diretrizes federais e sua implementação local geralmente não atende às necessidades e demandas mínimas. Os desafios ao incluir as deficiências também retratam que os professores são negligenciadopela sobrecarga de trabalho e pelo elevado número de alunos para o atendimento.


4 - Quais as diferenças no aprendizado que se percebe no desenvolvimento dos alunos?
Com as tecnologias assistivas surgem alternativas àinserção das deficiências, sendo estas, muitas vezes,compensadas pela aquisição de recursos da área de comunicação alternativa e ampliada, favorecendo assimpráticas pedagógicas mais inclusivas junto às necessidades dos alunos. As contribuições dos recursos das tecnologias assistivas ampliam a comunicação no processo de ensino e aprendizagem com um maior envolvimento educacional e social dos educandos com vistas à superação das dificuldades específicas e limitações na linguagem (os sujeitos podem falar), mas também raciocinar e interagir.De acordo com Pletsch (2014, p. 26), “em alguns casos, a apropriação do significado de palavras como o ”sim” e do “não” é fundamental para que alunos com essas deficiências possam fazer escolhas básicas na vida como, por exemplo, o que desejam comer e vestir. Esses conhecimentos, em grande medida, não são considerados como formais (aqueles ensinados e aprendidos na escola), mas argumentamos que, para esses alunos, representam um primeiro passo para a aprendizagem e a apropriação dos conhecimentos e bens culturais historicamente produzidos.

5 - Faça um breve relato de sua experiência com o uso de tecnologias digitais com crianças com necessidades especiais em sala de aula.
Os resultados apresentados nas pesquisas com o uso da TA com deficiências múltiplas só aparecem recentemente (2013) com a compreensão de professoras que atuavam em salas de recursos multifuncionais, as quais integram o atendimento educacional especializado (AEE). Discutir como o suporte pedagógico promovido pela TA assegura experiências formativas de aprendizagem é um grande desafio, pois implica repensar as propostas pedagógicas no processo de ensino e aprendizagem para o desenvolvimento dos alunos com deficiências, bem como pressupõe uma atividade que envolve sensibilidade e afetividade. A questão estratégiada TA na escola cria condições de possibilidade e estímulos para o estabelecimento de interaçõespossibilitando aos sujeitos com deficiências se desenvolverem no contato com o outro na sensibilização social. Em contrapartida, tais estudos precisam considerartambém o descompasso dos avanços tecnológicos frente àsadversidades sociais nas quais vivemos (negligenciado a inserção da deficiência), para oferecer uma rede de apoios com diferentes profissionais, resistindo às deficiências de recursos que o sistema público oferece (precariamente ou não oferece), criando assim uma cultura mais inclusivapara o desenvolvimento integrado entre as pessoas com ou sem deficiências. Afinal de contas, a deficiência e a diversidade fazem parte da essência do ser humanoenquanto vir a ser (inacabado), que merecem sercompreendidas na experiência da vida e dos conflitos sociais.




Referências: 

BRASIL. Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Resolução 4. Brasília, 2009.
HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. Trad. Luiz Repa. São Paulo: Ed. 34, 2003.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. 10. ed.Tradução de Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Ed. 34, 2001.
MASINI, Elcie F. Salzano. Pesquisas sobre surdocegueirae deficiências sensoriais múltiplas. In: Revista Construção Psicopedagógica, vol. 19, n. 18, São Paulo, 2011, p. 64-72.
NUNES, Leila Regina d’Oliveira de Paula; QUITÉRIO, Patrícia; WALTER, Cátia; SCHIRMER, Carolina; BRAUN, Patrícia. Comunicar é preciso: em busca das melhores práticas na educação do aluno com deficiência. São Paulo: Editora ABPEE, 2011.
PLETSCH, Márcia Denise. A escolarização de alunos com múltiplas deficiências em uma escola pública da baixada fluminense: formação de professores e processos de ensino e aprendizagem. Relatório de pesquisa, 2014.

Entrevista respondida pela profa. Elaine Conte.